domingo, 17 de abril de 2011

FUROS DE BALA

“Eu fico com a pureza das respostas das crianças, é a vida...”
Boom (tiro).
Acorda meu amigo isso não é realidade,
Crianças estão morrendo na mão da sociedade,
Começa com o foguete e depois na enrolada,
A erva é proibida, mas não mata como a bala,
Subindo na vida começa a fazer entrega,
Upgrade que momento, “tá” mandando na favela,

17 na carteira e 38 na mão,
Vendendo pra playboy a caminho do caixão,
A sociedade é burra, não entende o problema,
Legaliza essa erva e acaba com o esquema,
Eu nem gosto dessa porra, minha mente é aberta,
São as balas perdidas que interferem em minha esfera

A família do rapaz já estava preocupada,
A mãe Dona Maria já não dorme, não faz nada
Quatro irmãos mais novos e um pai delinqüente,
Quando tinha 8 anos sonhava em ser presidente,

Num dia de inverno o começo do fim,
Filho de papai roubado por 100 pila... e um Ipod Slim,
O pai era influente, o tio delegado,
“Deixa comigo sobrinho, eu amenizo o teu estrago”.

A Polícia foi no morro, ela já tava decidida,
Em 15 minutos terminaram a “partida”,
O ladrão foi malandro, repassou todo o roubo,
E o Filho da Dona Maria... ...foi  pego!!! com tudo no bolso,
Ele tentou correr, mas não adiantava,
Estava cercado, cercado por balas...
Escolha ingrata, última de sua vida,
Trocou seu futuro por dois tiros na barriga...

Acorda agora,
Está na sua cara !!!
Crianças no chão com furos de bala...
Não fica nessa... hipocrisia,
Não falar nada...  co-autoria

Acorda agora,
Está na sua cara!!!
Crianças no chão com furos de bala.
Não fica nessa... hipocrisia,
Não falar nada... co-autoria.

Dona Maria chora pela nota no jornal,
Se ela fosse rica era clamor nacional,
Matéria no fantástico e capa de jornal,
É o que fica dessa história, uma história real,
Aos olhos da sociedade mais uma história banal.

Acorda agora,
Está na sua cara!
Crianças no chão com furos de bala,
Não fica nessa... hipocrisia,
Não falar nada... co-autoria.

Acorda agora,
Está na sua cara!
Crianças no chão com furos de bala,
Não fica nessa, hipocrisia,
Não falar nada é co-autoria.

(parte falada)

O problema está bem na sua frente,
Criança na favela tem sonhos como a gente,
Quem esquece suas origens vive como um indigente,
Louco, sozinho nas mazelas da mente...
Ao seu lado tem alguém precisando da gente,
Um amigo, alguém, pode ser um parente,
Louco depressivo trancafiado por gente...
Que assassina gente como a gente!

Acorda agora,
Está na sua cara!
Crianças no chão com furos de bala.
Não fica nessa... hipocrisia,
Não falar nada... co-autoria.

Acorda agora,
Está na sua cara!
Crianças no chão com furos de bala.
Não fica nessa... hipocrisia,
Não falar nada... co-autoria.

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